Tudo certo e combinado?
Eu tenho uma grande admiração por um escritor brasileiro,
mais que brasileiro, mineiro, chamado Fernando Sabino.
Embora não tenha lido toda sua obra, que é vasta, eu tenho
paixão por um de seus livros intitulado O
Encontro Marcado. Este livro exerceu forte influência sobre mim. Ele conta
a história de um personagem chamado Eduardo, da infância à vida madura.
Acredito que muitos tenham sido influenciados por este
escritor na literatura brasileira. Minha amadíssima amiga Lu, grande poeta,
como já disse, e pesquisadora, autora de um livro importantíssimo intitulado Mulheres na Liderança, disse-me que o
título do seu primeiro livro de poesias resultou de um encontro fortuito com
Fernando, na rua. O diálogo entre Fernando e Lu foi mais ou menos assim, se a
memória não me falha:
- Fernando, qual é o segredo de sua juventude?
No que ele respondeu:
- Inquietudes, minha filha. Inquietudes!
Daí o livro da Lu intitulou-se, exatamente, Inquietudes. E resultou também, a
partir desta história, um poema meu intitulado Quietamento:
Vinha de histórias não contadas de tão tristes. Pontilhou espaços.
Tempo alargou. Anoitecido, testamentado, nem tarde fez.
A escrita da Lu também muito me influenciou. Aliás, toda a
sua vida me inspira. Devo-lhe muito! Eu gosto, particularmente, de uma poesia
dela deste livro que citei, que nem vou pedir autorização para publicar, aqui:
Escrita
Em vias de humildade, poeira
serve.
Que beleza de poema! Tão simples e complexo ao mesmo tempo.
Como conseguiu em uma só linha dizer tanta coisa?
Outro grande admirador do Fernando Sabino é o meu amigo,
praticamente irmão, chamado Almir Lima Nascimento, ou, simplesmente,
Almirzinho.
Conhecemo-nos na Faculdade de Direito da Universidade
Federal Fluminense. Mas, tanto eu quanto ele, sonhávamos outros planos para
nossas vidas.
Almirzinho, por exemplo, almejava a carreira diplomática. E
conseguiu atingir este objetivo ingressando para o Itamaraty, e tem se saído
muito bem. É outro que foi importante no meu processo de recuperação e, desde
sempre, mantemos contato.
Eu e ele tínhamos o hábito, ou o vício, de conversar citando
algumas passagens do livro de Fernando Sabino, ou outro escritor. Normalmente
isto acontecia no Bar do Jorge que ficava em frente à Faculdade e nós
chamávamos este bar de “Faculdade de Fato”, em oposição à “Faculdade de
Direito”. Uma piada do pessoal das ciências jurídicas.
Entre uma libação e outra, no Bar do Jorge, ou em qualquer outro lugar trocávamos citações. Mais o Almirzinho, na verdade, porque possui uma memória fantástica e é um prosador intuitivo e nato. Deliciosas as nossas conversas. Sinto muita saudade, pois, devido ao seu trabalho temos tido, ao longo dos anos, poucas oportunidades de nos encontrar pessoalmente. E conversar por telefone não é a mesma coisa.
Li algumas vezes O Encontro Marcado. Em fato, houve um
período que era o único livro que conseguia ler. Acho que me tranquilizava em
determinados momentos que eu tinha muita dificuldade em ler, em me concentrar.
Mas, o livro de Fernando tinha esta capacidade de me cativar.
O livro foi escrito em 1956 e é considerado por muitos como
representativo de toda uma geração.
Quis falar de Fernando Sabino porque pretendo encerrar esta
breve narrativa com uma sentença de sua autoria, cuja primeira parte dá título
a outro livro dele: No fim dá certo.
Então, quero deixar esta mensagem para os corajosos e
pacientes leitores que chegaram até aqui e, particularmente, para aqueles e
aquelas que sofrem de algum transtorno mental. Na crônica “No fim dá certo” do
Fernando Sabino, ele encerra com uma sentença que atribui a Seu Domingos:
- “Meu filho, tudo neste mundo no fim tudo dá certo. Se não deu, é
porque ainda não chegou ao fim”.

Comentários
Postar um comentário