Conto e Contraponto


Poderíamos chamar este capítulo de “O Desafio das Relações Sociais para os Transtornados”, mas achei bacaninha o título que dei e explico a razão.

O Conto e Contraponto é um grupo de amigos que se reúnem pelo WhatsApp. Somos poucos. Basicamente: Caroline Balado (Carol), Georgiana Dobbin (Gigi), Jorge Bittencourt (Jorge), Rita Lima (Rita), Sandra Burle Marx Smith (Sandrinha, também conhecida como Loura da Gávea) e eu, Cláudio Rangel (Claudinho). Este é um grupo derivado de outro formado originalmente por Lucelena Ferreira, e eram estas mesmas pessoas mais o Anderson Tibau, a Milla Benicio, o Sergio Câmara e o Alexandre Magalhães. Contudo, num destes desentendimentos comuns de ocorrerem em grupos sociais virtuais, o primeiro grupo de desfez. Este grupo “mãe” se formou em função de uma macarronada organizada pela Lu. Macarrão este cuja pasta eu produzo artesanalmente e que as pessoas costumam gostar muito. Bom, eu sou suspeito para falar do meu macarrão...

Enfim, foi muito importante manter o contato, ainda que esporádico com este grupo Conto e Contraponto, particularmente.

Eu não sou muito fã de grupos virtuais. Aqueles que eu participo são basicamente: o grupo da minha família – Família Sellitti Rangel; um grupo que reúne alguns músicos para o qual fui convidado pelo meu grande amigo, Marcos Kalil: Som! O grupo SOM! é formado por: Marcos da Veiga Kalil, Luis Antônio Martins Mattos, Pedro Henrique Sodré Marinho de Mello e eu.

Mais recentemente aceitei ingressar num grupo que reúne antigos colegas da Faculdade de Direito, convidado por minha amiga Mônica Santos, mas tem muita gente neste e quase nunca intervenho.

Ao contrário é o grupo Deus Conosco, gerenciado por minha amiga Dircinha Benício. Não é um grupo de discussão, debates, conversas entre os membros. O Deus Conosco tem como propósito a escuta do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, com um brevíssimo comentário.  Combinemos que para mim é uma espécie de Conversa com Deus. Só eu e Ele.

Nestes últimos anos, em plena Pandemia da Covid-19, as pessoas não podiam, ou tinham muita dificuldade de se encontrarem pessoalmente. Então, estes grupos virtuais me ajudaram a manter o vínculo com o mundo exterior, e, principalmente, as demonstrações e trocas de afeto e bem-querer.

Eu, por exemplo, nos últimos anos só recebi duas pessoas em minha casa: Carol que voltara da Espanha onde estava residindo; e Julinho, amizade de juventude do Santuário das Almas, em Niterói, que formou uma comunidade a partir das iniciativas do Padre Chico com o chamado TCJ (Treinamento Cristão Jovem). Julinho (Júlio São Paio) foi muito importante também porque deu-me aulas de violão e nos encontrávamos semanalmente, bem antes da Pandemia. Embora eu não estivesse muito bem ainda, os encontros com Julinho foram muito importantes para o retorno para atividades que eu tanto gostava e não conseguia fazer há muito tempo. Os encontros com o Julinho eram praticamente uma terapia para mim.

A Gergiana Dobbin, ou Gigi, como a chamamos, tem uma comunidade no Facebook (Borderline: adictos na emoção), a qual administra com muita seriedade e critério para discussão, compartilhamento de depoimentos e difusão deste transtorno. É muito boa. Faz-me bem participar dela. Ou seja, mesmo sozinho é possível compartilhar nossos problemas, ajudar e ser ajudado. A escolha de grupos neste sentido tem que ser muito bem avaliada, pois, nem todos são bons e produzem benefícios para os transtornados.

Os relatos são similares, muitas vezes, e todos criam uma empatia quase natural e espontânea com cada um que se expõe e diz o que está se passando. Se o grupo for sério ajuda muito mesmo.

Embora seja muito difícil, em determinadas fases, é muito importante que os afetados por algum transtorno mental mantenham os vínculos sociais, tanto quanto possível, e, principalmente, com aqueles familiares, amigos e amigas dos quais são mais próximos, e nos amam.

Fácil de fazer isto não é!!! Pelo menos, por minha experiência, posso afirmar que não foi nada fácil manter tais vínculos. A tendência em determinados momentos é evitar estes contatos, mas, trata-se de um erro e prejudica as possíveis soluções dos problemas pelos quais passamos. Vale a pena, contudo, fazer algum esforço para manter acesa a chama das amizades. Se não for possível fazer novos amigos, pelo menos manter os que já temos.

Os verdadeiros amigos entendem, aceitam e são solidários com nossas situações. Devemos evitar ao máximo esta tendência ao isolamento. Mesmo que não se troque nenhuma palavra, só a presença de alguém que gostamos nos faz bem.

A solidão é boa em determinados momentos. Tem inúmeros benefícios e até faz bem, quando voluntária. Mas, penso eu, que esta não deva ser a opção quando estamos adoecidos ou fragilizados.

Gigi e Jorge

Rita

Sandrinha







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Apresentação

Diário de um Transtornado

Tudo certo e combinado?