O Desafio do Retorno

  

O Desafio do Retorno 

 

Todos transtornados, aqueles que passam por uma grande crise, seja qual for o diagnóstico de suas condições têm grande dificuldade para retornar a uma rotina prévia. É um desafio. Principalmente se foi, exatamente, tal rotina um fator determinante no agravamento da crise. 

Muitos danos ocorrem em nossas vidas. Muitas perdas, difíceis de serem assimiladas. 

Quando eu estava para me formar em Direito fiz um concurso para o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJERJ). Ora, aquilo foi quase uma brincadeira. Eu e uma amiga, Cláudia Motta, hoje Juíza de Direito, excelente e respeitada profissionalmente, o fizemos quase que só para testar nossos conhecimentos. Nunca pretendi assumir aquele cargo. 

Como passei neste concurso do Tribunal de Justiça, eles me enviavam constantemente correspondência para que eu fosse ser empossado no cargo. Foram várias correspondências e minha família não entendia porque eu não aceitava. Ora, aquilo não tinha nada a ver comigo, e, sobre isto eu tinha absoluta certeza. 

A crise, contudo, virou minha vida de ponta-cabeça. Tudo mudou como vocês já sabem: pedi exoneração do TRF 2ª Região; meus projetos e perspectivas acadêmicas foram por água abaixo. Não conseguia fazer quase nada. 

Neste momento, recebi um novo convite para assumir um cargo no Tribunal. Desta vez, entretanto, tinha uma particularidade na oferta: nós poderíamos escolher entre vários cargos. 

Como eu estava no chão, na lona, aceitei, pelo menos, ver o que estavam oferecendo. E acabei assumindo o cargo de Oficial de Justiça Avaliador. Foi outro grande erro que cometi. O trabalho era horrível. E, em vez de ajudar na superação da crise, esta piorou. Ia trabalhar doente, entupido de remédios para aguentar a situação. Decidi, então, pedir exoneração. Mas, o pedido não foi aceito e convolado em Licença Médica. As pessoas me desaconselhavam a abandonar o emprego, principalmente, porque neste período eu não tinha nenhuma fonte de renda, ou atividade em que estivesse empenhado.  

Foram anos difíceis, torturantes, até que, em determinado momento eu fui aposentado por invalidez. Evidentemente, para uma pessoa como eu isto foi extremamente vergonhoso. Senti-me culpado pela situação e o desfecho. 

A aposentadoria foi um desastre financeiramente. E como foi proporcional eu perdi, da noite para o dia, 70% dos meus vencimentos. Não tinha como me sustentar onde morava. Foi aí que surgiu Tio Toninho, de quem falarei adiante. 

Os estudos 

Eu desejava voltar a estudar. Então fui conhecer uma universidade que acabara de ser inaugurada em Niterói: a UNILASALLE. 

Tentei, primeiramente, Processamento de Dados, mas não deu certo. Apareceu, então, nesta mesma universidade um Curso de Especialização em Arte Educação. Fiz o curso e me fez muito bem. Fiz novos amigos, entre alunos e professores, que foram muito importantes, mesmo sem saberem o que se passava comigo, tais como a Márcia Hippert, da qual mais me aproximei e mantemos contato até hoje. Uma espetacular amiga, além de ser linda.

Marcinha





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